sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Dá até para entender alguém votar no Serra, o que não dá é para entender a Marina tratá-los como iguais, principalmente porque ela sabe bem das diferenças entre ambos, ela se deixou contaminar pelas impurezas ideológicas do PV. Também não dá para entender o mesmo comportamento de Heloísa e Plínio, eles também sabem da distância de ideais, metas e práticas entre os dois candidatos.
Dá para entender sim alguém escolher o Serra. Porque se uma pessoa prefere um país submisso, subserviente às nações mais ricas, então o candidato a ser escolhido é o Serra. Se alguém sente saudades do tempo de FHC, quando os pobres não podiam sonhar com uma casa própria ou ver o filho cursar uma universidade, então o tucano é o caminho certo. Se o eleitor se agrada em ver uma sociedade mais desigual, com mais de um quarto da população na miséria e o desemprego acima de dois dígitos, bem, aí o melhor a fazer é votar 45. Se for mais interessante ver o povo receber 64 dólares de salário-mínimo aos invés de 300 dólares... se for mais legal assistir os movimentos sociais sendo criminalizados... a riqueza do pré-sal sendo entregue a extrangeiros... etc... então é Serra!
Voto Dilma, sem medo de ser feliz, por um país mais justo e soberano, para o Brasil seguir mudando!
Veja este vídeo, não lembra as propagandas encomendadas por Adolf Hitler ao José Goebbels, a fim de disseminar suas idéias demoníacas ? Não é de se estranhar, afinal já sabemos que Serra conta com o apoio de grupos neonazistas presentes no Brasil.
A campanha de José Serra desceu tanto o nível que chegou ao inferno. Conta-se que no gabinete de Satã teria sido feito um acordo: Serra teria a vitória em troca de algo ainda não revelado à grande parte da imprensa, quem sabe é somente o PIG, mas o acordo prevê divulgação somente após as eleições (caso o plano obtenha sucesso). O que foi confirmado é que o "chefe" liberou o espírito atormentado de Goebbels para ajudar na campanha tucana. Informações dão conta de que diversas lideranças muito conhecidas estiveram na tal reunião, dentre elas, jornalistas, políticos e religiosos.
O texto que segue é de Brizola Neto do Tijolaço.com
A colunista Eliane Catenhede referiu-se aos blogs pró-Dilma como “os cães da internet”. José Serra chama-os de “blogs sujos”.
Quero saber o que irão falar do que a campanha de Serra – sim, a campanha de Serra, que colocava este blog “Vou de Serra 45″ na sua capa de seu site oficial – publica com o mais nítido sentido de terrorismo eleitoral, com uma produção que é evidentemente eleitoral.
Um vídeo chamado “2012, o fim está próximo” é um crime, sob todos os aspectos. Figura o Brasil sob uma ditadura, até com ameaça de invasão de tropas estrangeiras.
Coisa de canalhas. Quem age assim, sob um regime democrático e às vésperas de uma eleição livre e democrática. Pessoas assim, sim, são terroristas. Porque não estão lutando contra a tirania, estão lutando contra o voto livre da população, usando como arma o medo, a mentira e, sobretudo, a covardia.
Vou colocar o vídeo, repugnado. Porque ele está sendo publicado por dois dos grandes veículos de comunicação, O Globo e o Estadão, em seus portais, nas colunas Radar Online e no Noblat. E sem uma palavra de condenação. Por isso publico, porque é necessário reagir, e não fingir que isso não é nada.
Foi por “não ser nada” que o nazismo se desenvolveu até ir ao poder. Eu desconsideraria, se não tivesse sido publicado, como disse, sem uma palavra de condenação por dois órgãos de imprensa gigantescos, que, ao faze-lo, difundiram a centenas de milhares de pessoas o conteúdo do esgoto.Sei que o assunto está no setor jurídico do PT. Em nome da democracia, suplico que tomem uma atitude, já que se tornou inútil esperar que o Ministério Público Eleitoral aja.Tem que haver limites para a baixaria e a sordidez.
Não se trata de reprimir a liberdade e o direito de crítica, consagrados na Constituição, vedado o anonimato. O blog, mesmo sendo anônimo, encontrou abrigo na página da campanha de José Serra.Assim, juridicamente, ele o subscreveu. Não é um comentarista ou alguém que, informalmente, diz ali coisas exageradas. É um trabalho profissional, não obra de amador. Foi postado num canal do youtube criado especialmente para isso, na quarta-feira. Nunca pedimos ações contra garotos que fazem baixarias. Coisa bem diferente é isso ser patrocinado pela campanha tucana.Que fez, lamentavelmente, desta a campanha eleitoral mais suja que já assistimos.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
(Carta Maior)

Manchetes da Folha em apoio à Ditadura Militar
O golpismo valerá a pena?
Brizola Neto
Do Tijolaço.com
São cada vez mais fortes os indícios que que a Folha de S.Paulo prepara para sexta-feira uma edição destinada a disparar a “última bala” contra a candidatura Dilma Rousseff.
A insistência em obter os autos do processo contra ela, dos tempos de ditadura, no Supremo Tribunal Federal e, depois, no STF, visa, essencialmente, dar cobertura a uma matéria que já está escrita.
Até porque grande parte deste processo está copiada nos arquivos da Universidade de Campinas e são de acesso público. Fazem parte da coleção “Brasil, nunca mais”, do Arquivo Edgard Leuenroth, daquela Universidade. Neles, segundo o próprio diretor do Arquivo, Alvaro Bianchi, “, não há nada nesses processos que vincule diretamente Dilma Rousseff a ações armadas, como sequestros, expropriações ou atentados contra alvos civis e militares, nem mesmo a greves ou manifestações estudantis. Ao contrário. Mesmo seus inquisidores não conseguiram estabelecer esse vínculo, não restando –senão- acusá-la vagamente de ‘subversão’ ”.
O professor Bianchi é insuspeito, pois é a favor da liberação indiscriminada dos arquivos do STM. Mas também é contra sua manipulação:
- Suprimir a memória para não perder votos não é boa coisa. Falsificá-la para ganhá-los também não, escreveu ele, num artigo publicado na Carta Capital, onde descreve o conteúdo da documentação relativa a Dilma.
O professor pode ter suas razões. Nem mesmo concordo com elas, pois a revelação daquilo que foi dito – ou que se alegou terem dito – em sessões de torturas abomináveis viola de tal forma o direito das pessoas que só elas, individualmente, podem julgar se querem tornar público, como protesto, ou se aquilo fere a si ou a terceiros.
Afinal, se esta mesma imprensa acha abominável a quebra de sigilo fiscal, revelando aquilo que pessoas disseram à Receita Federal, como pode achar normal ter o direito de revelar detalhes do que foi obtido usando de violências bárbaras? Ou o crime cometido da delegacia fiscal de Mauá é mais grave do que aquele que se cometeu nas câmaras de tortura do regime ditatorial?
A discussão, porém, não se dá nem neste plano das ideias. Não há um pingo de “direito à informação” ou liberdade jornalística neste episódio.
O material – tentando envolvê-la em casos de sangue, não posso afirmar se direta ou indiretamente- está pronto para ser publicado de forma a não ser respondido. Sexta-feira, calam-se os horários eleitorais. No final de semana das eleições, não há possibilidade razoável de contestação. Impera o silêncio, e falarão sozinhos o Jornal Nacional, a Veja, O Globo…
Não será a ética ou o amor pela verdade que os impelirá, nem também o que lhes impedirá.
A única dúvida que lhes resta é se isso adiantará para derrotar Dilma e eleger Serra.
Marilena Chauí alerta sobre atos de violência para culpar o PT

Marilena Chauí na revista Cult
Por Suzana Vier - Rede Brasil Atual
Carta Maior
A filósofa Marilena Chaui denunciou segunda-feira (25) uma possível articulação para tentar relacionar o PT e a candidatura de Dilma Rousseff a atos de violência. Ela afirmou, diante de um público de quase 2 mil pessoas, que soube de uma possível ação violenta que seria montada para incriminar o PT durante comício do candidato José Serra (PSDB) na próxima sexta-feira (29), em São Paulo.
Segundo Marilena, a promessa dos participantes da suposta armação seria de "tirar sangue" durante o comício. As cenas seriam usadas sem que a campanha petista tivesse tempo de responder. "Dois homens diziam: 'dia 29, nós vamos acertar tudo, vamos trazer o pessoal vestidos com camisetas do PT, carregando bandeiras do PT e vão atacar pra tirar sangue, no comício do Serra", reafirmou a filósofa, em entrevista à Rede Brasil Atual. "É preciso alertar a sociedade brasileira toda, alertar São Paulo e alertar os petistas", pediu Marilena. A ação estaria em planejamento em um bar de São Paulo, no final de semana.
Para exemplificar o caso, ela disse que se trata de um novo caso Abílio Diniz. Em 1989, o sequestro do empresário foi usado para culpar o PT e o desmentido só ocorreu após a eleição de Fernando Collor de Melo.
A denúncia foi feita durante encontro de intelectuais e pessoas ligadas à cultura, estudantes e professores universitários e políticos, na USP, em São Paulo. "Não vai dar tempo de explicar que não fomos nós. Por isso, espalhem pelas redes sociais", divulguem.
Ela também criticou a campanha de Serra nestas eleições. "A campanha tucana passou do deboche para a obscenidade e recrutou o que há de mais reacionário, tanto na direita quanto nas religiões."
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
"Lula é um gênio do povo"

Maria da Conceição Tavares na capa da revista Carta Capital
Lula: coração popular, emoção popular e mente brilhante
Amiga de Dilma e Serra, a economista portuguesa Maria da Conceição Tavares, figura nacional no Brasil, vota Dilma. E explica porque acha que Lula é um líder sem par.
(...)
Existe a ideia de que a Dilma é uma construção do Lula, alguém que não tem personalidade própria.
Isso é uma bobagem. O que ela não tem é o conhecimento político do Lula. Mas foi ministra de Minas e Energias, um sector pesado, em plena crise de energia eléctrica — herança da política boba do Fernando Henrique —, e foi Chefe da Casa Civil, uma casa política. E está com ele [Lula] todos os dias. Tem aprendido com ele tudo o que há para aprender sobre o Brasil. É evidente que sem ele não teria chance. O Serra já foi candidato a várias coisas, ela não. Então, o facto de ser apoiada pelo Lula ajuda. Não bastava o PT. O PT não tem peso suficiente para fazê-la ganhar. Quem tem é o Lula, uma figura política como nunca ocorreu no país. Para dizer a verdade, pouco ocorreu no mundo.
No vídeo em que apoia à Dilma diz: não sigam a propaganda das grandes empresas, o Brasil tem de fazer as pazes com o povo, não pode ficar só votando para os 10 ou 20 por cento de cima, e a mulher do povo é a Dilma. Acha que existem dois Brasis, essa faixa de cima que é anti-Lula e o Brasil do povo?
Acho. Tranquilamente.
E isso está a manifestar-se de novo nesta eleição?
De novo. Agora, tem a classe média, que vai para cá ou para lá, conforme a conjuntura.
A classe média que ascendeu nos últimos anos?
A que ascendeu foi a média-baixa. A média-alta, não. E essa é que tem muita raiva do Lula e não vai votar na Dilma.
Nessa faixa média alta, o Lula é frequentemente descrito como um ignorante, ou um populista.
Primeiro, não é populista porque é do povo. Populista seria um cara da elite que estivesse manipulando o povo. Ele ascendeu do povo, e foi sendo feito pelo povo. Depois, ignorante, coisa nenhuma. O Lula sabe mais do Brasil do que ninguém. E sabe mais de economia aplicada, prática, do que ninguém. Já é candidato desde 1989. Então, na primeira derrota fez o Instituto de Cidadania, uma espécie de ONG, e convidava todos os intelectuais. Eu conhecia-o de vista, mas aí passei a ser assessora dele. Eu, uma série de economistas progressistas, filósofos, sociólogos.
Era uma espécie de academia informal?
Claro. De maneira que ele fez uma “universidade” que durou de 1989 a 2002.
Como “aluno”, como era?
Ah, brilhante, brilhante. Tem uma memória prodigiosa. E quando havia discussão académica e ele percebia que as questões estavam resvalando, não deixava. Ele vai no gume. Tem um sentido de oportunidade muito afiado, uma mente muito lógica. Isso é que é impressionante. Tem um coração popular, uma emoção popular, mas a cabeça dele é totalmente lógica. É dos homens mais inteligentes que conheci. Se não o mais.
Diria que o Lula é talvez o homem mais inteligente que conheceu?
Sem dúvida. E não apenas politicamente. É uma inteligência nata. É um génio do povo. Nós tivemos um génio do povo. Se não, não teria chegado lá. Você acha que alguém vindo de onde ele veio, com as dificuldades que teve, chega a presidente? Não. Ele é um génio do povo, mesmo, e impressiona qualquer um.
A senhora tem uma frase que é: “O Lula é o maior intelectual orgânico do Brasil.”
Os intelectuais como eu são clássicos. E ele é orgânico. Interpreta e representa organicamente o povo brasileiro.
Não tem nada a ver com um Hugo Chávez?
Não, imagina! O Chávez é de origem militar. Ao Chávez é que se podia chamar populista, embora eu o ache mais uma espécie de caudilho ilustrado.
E o Lula não tem nada de caudilho [líder carismático e autoritário]?
Não, que caudilho! Ele jamais faz apelos carismáticos. Ele fala com o povo, ou com quem quer que seja, de igual para igual. Faz piada, faz humor.
É um deles?
É um deles. Mas também quando se encontra com a classe média é como um de nós. Não tem complexo de inferioridade, nem de superioridade.
Não tem ressentimento, é isso?
De nenhuma espécie. E não gosta que fiquem elogiando ele de mais. É muito lúcido. Como a lucidez é uma característica da inteligência analítica, ele tem uma inteligência analítica poderosa. E como é do povo, eu digo que é orgânico.
A senhora escreveu que ele foi quem mais avançou na “republicanização do Brasil”. No sentido de democratização?
É. Porque está dando voz ao povo. A preocupação dele é tornar cidadãos os que estão à margem. E não com palavras, com factos. Indo até eles, dando-lhes direitos, com a preocupação de que as políticas sociais sejam para incorporação. O Lula, entre as derrotas, fez várias viagens ao Brasil inteiro, chamadas Caravanas da Cidadania. A palavra que escolhe sempre é cidadania. Por isso digo que é republicanização. O que ele quer é que todos os brasileiros tenham cidadania, possam-se expressar, ter direitos. Quer acabar com os dois Brasis, em resumo. Quer fazer disto uma nação.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
...o que há de pior
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Uma nova liberdade no horizonte do Brasil

Humberto Oliveira, Secretário de Desenvolvimento Territorial do MDA
para o Carta Maior
Lula e Dilma rompem com mais de 500 anos de história de pobreza, preconceito e submissão
Você é a favor da liberdade dos escravos? Você é a favor do fim da pobreza no Brasil? Duas perguntas, dois contextos, duas épocas. A primeira, totalmente descontextualizada, teria hoje 100% de aprovação do povo brasileiro. A segunda, completamente atual, ainda que não assumida de forma tão clara e explícita, é uma contenda do presente que ganhou veemência neste processo eleitoral. De comum entre elas, as conseqüências de uma intensa ruptura no modo de ser de uma nação.
Pois bem, tratemos de explicitar o que se esconde no jogo político das eleições presidenciais. Não é por acaso que a disputa eleitoral de 2010 alcançou um nível tão alto de antagonismo, despertando paixões em quase todos os setores da sociedade brasileira. O governo do presidente Lula colocou o Brasil no caminho de uma profunda transformação que o eleva a perigosa condição de um país moderno, sem fome, sem miséria, sem pobreza, sem desigualdades.
É pouco? Não, é o rompimento com mais de 500 anos de história política, de forte enraizamento cultural, de preconceitos sólidos. Saberemos ser uma nação civilizada? Como viveremos sem os pobres? Quem trabalhará em nossas cozinhas, em nossas fazendas com baixos salários e diárias? Como faremos nossas caridades, quem necessitará da nossa piedade? Que privilégios teremos sendo todos tão semelhantes, tão iguais? Como conviver sem a superioridade dos sobrenomes nas universidades, nas profissões, nas ciências, na política? Como compartilhar espaços de convivência, antes tão restritos, nos aviões, nos hotéis, nos cinemas, nos teatros e nos palácios?
Essas profundas mudanças que estão em curso no Brasil, que têm origem no governo Lula e terão continuidade no governo Dilma implantam pavor e preconceito na grande maioria da elite brasileira e na parte mais conservadora da nossa sociedade. Por isso há um debate disfarçado de religiosidade utilizado pelo conservadorismo político, daqueles que não querem que o Brasil siga mudando. A maior prova desse argumento é que não há um único segmento específico contra o projeto Lula/Dilma.
Parte da elite brasileira, a que é moderna, produtiva e progressista está apoiando a candidatura Dilma, assim como a maioria dos religiosos, dos intelectuais, da classe média, da juventude, dos professores e de todos aqueles brasileiros e brasileiras que não teriam dúvida no século XIX em lutar contra a escravidão e que passarão para a história como aqueles que não tiveram a dúvida contemporânea em escolher no século XXI o projeto político que põe fim a pobreza e a miséria e libertam do jugo da exploração o povo pobre do Brasil.
Comparativamente aos anos 1880, estamos nos aproximando do momento em que uma mulher, Dona Isabel, princesa imperial do Brasil, assinaria por definitivo a Lei Áurea. E, como em todo fim de uma era, as resistências são truculentas e coléricas. Analogamente, a campanha de Serra representaria a última trincheira da mais feroz resistência ao fim da escravidão. Por sorte, o Brasil segue seu rumo em direção ao futuro, com orgulho do presente, com apoio de 80% dos que aprovam o governo Lula e que elegerão Dilma presidente. Estabelecendo essa analogia com a luta pela libertação dos escravos, na luta pelo fim da pobreza os intelectuais de hoje são os Joaquim Nabuco de outrora, os atuais artistas, os Castro Alves de antanho e o povo brasileiro de agora, os que lutaram pela libertação dos seus irmãos escravizados pela elite conservadora daqueles tempos. Surge uma nova liberdade no horizonte do Brasil.
Ah, havia também um rolo de fita!...
Claro, o confronto não deveria ter acontecido, os petistas não deveriam ameaçar Serra e o pessoal que estava com ele, nem os seguranças de Serra agredir petistas. Foi tudo errado, não se pode tentar "argumentar" posições políticas com agressões físicas.
Por outro lado, ainda assim, nada que justificasse o exame de tomografia computadorizada, o cancelamento da agenda e o repouso de 24 horas do candidato tucano.
Entre beijos e dossiês

Nassif: Amaury trabalhava para Aécio quando houve quebra de sigilos
O caso do dossiê Amaury
Do blog do Luís Nassif
Para entender melhor o inquérito da Polícia Federal sobre a quebra do sigilo fiscal dos tucanos.
As investigações foram encerradas na semana passada, inclusive com a tomada de depoimento do repórter Amaury Jr por mais de dez horas.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Agentes da CIA estão atuando no Brasil como no pré-64

A reportagem do SBT é clara: o que atingiu Serra durante a caminhada no Rio foi uma bolinha de papel – daquelas que os alunos de sexta-série jogam nos outros. Serra, depois de receber um telefonema, resolve mostrar desconforto, passa a mão na cabeça, vai ao médico, cancela agenda. O ferimento real veio do Ibope: Serra levou 12 pontos na cabeça! De todo jeito, petistas que foram pra rua no Rio são desajuizados. Tudo que Serra quer é confronto.
Cinco ondas da campanha contra Dilma Roussef
O escrevinhador
por Rodrigo Vianna
O jornalista Tony Chastinet é um especialista em desvendar ações criminosas. Sejam elas cometidas por traficantes, assaltantes de banco, bandidos de farda ou gangues do colarinho branco.
O Tony é também um estudioso de inteligência e contra-inteligência militar. E ele detectou, na atual campanha eleitoral, o uso de técnicas típicas de estrategistas militares: desde setembro, temos visto ações massivas com o objetivo de disseminar “falsa informação”, “desinformação” e criar “decepção” e “dúvida” em relação a Dilma. São conceitos típicos dessa área militar, mas usados também em batalhas políticas ou corporativas.
Na atual campanha, nada disso é feito às claras, até porque tiraria parte do impacto. Mas é feito às sombras, com a utilização de uma rede sofisticada, bem-treinada, instruída. Detectamos nessa campanha, desde a reta final do primeiro turno, 4 ondas de contra informação muito claras.
1) Primeira Onda – emails e ações eletrônicas: mensagens disseminadas por email ou pelas redes sociais, com informações sobre a “Dilma abortista”, “Dilma terrorista”, “Dilma contra Jesus”; foi essa técnica, associada aos sermões de padres e pastores, que garantiu o segundo turno.
2) Segunda Onda – panfletos: foi a fase iniciada na reta final do primeiro turno e retomada com toda força no segundo turno; aqueles “boatos” disformes que chegavam pela internet, agora ganham forma; o povão acredita mais naquilo que está impresso, no papel; é informação concreta, é “verdade” a reforçar os “boatos” de antes;
3) Terceira Onda – telemarketing: um passo a mais para dar crédito aos boatos; reparem, agora a informação chega por uma voz de verdade, é alguém de carne e osso contando pro cidadão aquilo tudo que ele já tinha “ouvido falar”.
4) Quarta Onda – pichações e faixas nas ruas: a boataria deixa de frequentar espaços privados e cai na rua; “Cristãos não querem Dilma e PT”; “Dilma é contra Igreja”; mais um reforço na estratégia. Faixas desse tipo apareceram ontem em São Paulo, como eu contei.
O PT fica, o tempo todo, correndo atrás do prejuízo. Reparem que agora o partido tenta desarmar a onda do telemarketing. Quando conseguir, a onda provavelmente já terá mudado para as pichações.
Há também a hipótese de todas as ondas voltarem, ao mesmo tempo, com toda força, na última semana de campanha. Tudo isso não é por acaso. Há uma estratégia, como nas ações militares.
O que preocupa é que, assim como nas guerras, os que tentam derrotar Dilma parecem não enxergar meio termo: é a vitória completa, ou nada. É tudo ou nada – pouco importando os “danos colaterais” dessas ações para nossa Democracia.
Reparem que essas ondas todas não foram capazes de destruir a candidatura de Dilma. Ao contrário, a petista parece ter recuperado força na última semana. Mas as dúvidas sobre Dilma ainda estão no ar.
Minha mulher fez uma “quali” curiosa nos últimos dias. Saiu perguntando pro taxista, pro funcionário da oficina mecânica, pro vigia da rua de baixo, pra moça da farmácia: em quem vocês vão votar? Nessa eleição, pessoas humildes- quando são indagadas por alguém de classe média sobre o assunto - parecem se intimidar. Uns disseram, bem baixinho: “voto na Dilma”, outros disseram “não sei ainda”. Quando minha mulher disse que ia votar na Dilma, aí as pesoas se abriram, declararam voto. Mas ainda com algum medo de serem ouvidos por outros que chamam Dilma de “terrorista”, “vagabunda”, “matadora de criancinhas”.
O que concluo: as técnicas de contra-inteligência de Serra conseguiram deixar parte do eleitorado de Dilma na defensiva. As pessoas – em São Paulo, sobretudo -têm certo medo de dizer que vão votar em Dilma.
Esse eleitorado pode ser sensível a escândalos de última hora. Não falo de Erenice, Receita Federal, Amaury – nada disso.
Tony teme que as o desdobramento final da campanha (ou seja a “Quinta Onda”) inclua técnicas conhecidas nessa área estratégico-militar: criar fatos concretos que façam as pessoas acreditarem nos boatos espalhados antes.
Do que estamos falando? Imaginem uma Igreja queimando no Nordeste, e panfletos de petistas espalhados pela Igreja. Imaginem um carro de uma emissora de TV ou editora quebrado por “raivosos petistas”.
Paranóia?
Não. Lembrem como agiam as forças obscuras que tentaram conter a redemocratização no Brasil no fim dos anos 70. Promoveram atentados, para jogar a culpa na esquerda, e mostrar que democracia não era possível porque os “terroristas” da esquerda estavam em ação. Às vezes, sai errado, como no RioCentro.
Por isso, vejo com extrema preocupação o que ocoreu hoje no Rio: militantes do PT e PSDB se enfrentam numa passeata de Serra. É tudo que o que os tucanos querem na reta final: a estratégia, a lógica, leva a isso. Eles precisam de imagens espataculares de “violência”, da “Dilma perigosa”, do “PT agitador” – para coroar a campanha iniciada em agosto/setembro.
Espero que o Tony esteja errado, e que a Quinta Onda não venha. Se vier, vai estourar semana que vem: quando não haverá tempo para investigar, nem para saber de onde vieram os ataques.
Tudo isso faz ainda mais sentido depois de ler o que foi publicado pelo ”Correio do Brasil”: uma Fundação dos EUA mostra que agentes da CIA e brasileiros cooptados pela CIA estariam atuando no Brasil – exatamente como no pré-64.
Como já disse um leitor: FHC queria fazer do Brasil um México do sul (dependente dos EUA), Serra talvez queira nos transformar em Honduras (com instituições em frangalhos).
Os indícios estão todo aí. Essa não é uma campanha só “política”. Muito mais está em jogo. Técnicas de inteligência militares estão sendo usadas. Bobagem imaginar que não sejam aprofundadas nos dez dias que sobram de campanha. Por isso, o desespero do PSDB com as pesquisas. Ele precisa chegar à ultima semana com diferença pequena. Se abrir muito, até a elite vai desconfiar das atitudes das sombras, vai parecer apelação demais.
(...)
Estejamos preparados pra tudo. E evitemos entregar à turma das sombras o que ela quer: agressões contra Serra, contra Igrejas, contra carros de reportagem.
O Brasil precisa respirar fundo e passar por esse túnel de sombras em que acampanha de Serra nos lançou.
Leia mais abaixo: O risco de um novo golpe político no Brasil é real e iminente.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Ambientalistas que estavam com Marina manifestam apoio a Dilma

Do Carta Maior
Alguns dos principais ambientalistas do país que acompanharam Marina Silva no primeiro turno decidiram lançar um manifesto de apoio à candidata do PT, Dilma Rousseff.
O manifesto traz o apoio individual de respeitados dirigentes do movimento socioambientalista ligados a organizações como o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), a Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA), o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais pelo Meio Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável (FBOMS).
Inteligência brasileira se une contra um retrocesso chamado Serra
Intelectuais e artistas brasileiros se mobilizam em todo o país em manifestações de protesto e indignação contra as metas e os métodos adotados pela candidatura do conservadorismo brasileiro.
Circulam pelas universidades e na Internet:
"Manifesto dos Reitores contra Serra";
"Manifesto dos Professores de Filosofia contra Serra";
"Manifesto dos Artistas e Intelectuais contra Serra".
O mais recente documento, que ontem já reunia cerca de 1000 assinaturas, é o manifesto dos professores universitários que abre com a seguinte frase:
"Nós, professores universitários, consideramos um retrocesso as propostas e os métodos políticos da candidatura Serra".
Estes e outros manifestos são assinados pelas melhores cabeças deste país, por pessoas que pensam, que sabem muito bem o que significa continuar com o governo popular iniciado por Lula ou o grande retrocesso que seria a volta dos tucanos ao poder.
domingo, 17 de outubro de 2010
Tasso tenta agredir padre que denunciou o uso da fé

José Serra... quis se aproveitar dos festejos em homenagem a São Francisco no município de Canindé, no sertão do Ceará e lá desembarcou com Tasso Jereissati, o “coronel-senador” abatido nas urnas pelo povo cearense.
De Escrevinhador e Jornal O Povo
Não contava, porém, com que o padre que oficiou a missa não estivesse na turma dos fariseus.
Segundo o relato do repórter Ítalo Coriolano , do jornal O Povo , “o padre Francisco, que celebrava a cerimônia, começou a se queixar. Disse que quem estava lá para causar tumulto se retirasse, porque o povo lá estava para ouvir São Francisco, e não políticos.
Serra e Tasso estavam na plateia, em local de destaque.
Já no fim da missa, o padre mostrou panfleto de Serra com críticas a Dilma em temas relativos a religiosidade. E disse que ninguém podia falar em nome da Igreja e que aquela não era a posição da Igreja.
“Estão acusando a candidata do PT de várias coisas, afirmando em nome da Igreja. Não é verdade! Isso não é jeito de se fazer política! A Igreja não está autorizando isso”, bradou o padre, provocando os aplausos de fiéis e a revolta de Tasso, que partiu para cima do altar, sendo contido por uma assessora e pela esposa, Renata Jereissati.
Os panfletos a que se referiu o padre estão sendo impressos aos milhões. É vergonhoso o que estão fazendo com a devoção e a fé das pessoas. As igrejas, católicas ou protestantes, estão sendo vilipendiadas por gente farisaica, que quer usar sordidamente os templos como comitês eleitorais.
Ouça matéria sobre o tumulto criado por Serra e o "Coronel" no link da CBN, logo abaixo.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Dilma é alvo de grupos de extrema-direita e neonazistas

O jornalista Tony Chastinet fez um levantamento minucioso sobre a origem de um dos e-mails caluniosos que circulam contra a candidata Dilma Rousseff (PT). Descobriu que o e-mail partiu de gente ligada à extrema-direita e a grupos neonazistas. Gente com nome, sobrenome e endereço. O jornalista apresenta as provas. (Azenha/Viomundo)
Rodrigo Vianna/Tony Chastinet
Publicado originalmente no Blog Escrevinhador
O CAMINHO DA CALÚNIA
por Tony Chastinet
Recebi ontem à noite um daqueles e-mails nojentos e anônimos, que estão circulando na internet, com calúnias contra a candidata Dilma Roussef. Decidi gastar alguns minutos para tentar identificar os autores. Consegui, e repasso abaixo as informações sobre os autores da baixaria – incluindo as fontes da pesquisa. Há um e-mail circulando na internet com o seguinte título: “Candidatos de esquerda”. Na mensagem há uma série de calúnias contra Dilma, e o pedido para se votar no Serra. Também recomenda a leitura do site http://www.tribunanacional.com.br./ Entrei na página e de cara me deparei com aquela foto montada da Dilma ao lado de um fuzil. Uma verdadeira central de calúnias ligada à extrema direita.
O e-mail foi enviado para minha caixa postal na noite de domingo. O remetente é um tal de Ingo Schimidt (ingo@tribunanacional.com.br). O site está registrado na Fapesp em nome do “Círculo Memorial Octaviano Pinto Soares”. Essa associação tem CNPJ (026.990.366/0001-49), está localizada na SCRN, 706-707, Bloco B, Sala 125, na Asa Norte, em Brasília. O responsável pelo site chama-se Nei Mohn. Em uma pesquisa superficial na internet, descobre-se que ele foi presidente da “Juventude Nazista” em 1968. Era informante do Cenimar e suspeito de atos de terrorismo na década de 80 (bombas em bancas de jornais e outros atentados feitos pela tigrada da comunidade de informações). Também foi investigado por falsificar o jornal da Igreja Católica, atacando religiosos que denunciavam torturas, assassinatos e desaparecimentos (vejam abaixo nas fontes). Nunca foi investigado e sequer punido pelas barbaridades que aprontou. Para isso, contou com a proteção dos militares e da comunidade de informações para abafar os escândalos e investigações.
Prossegui na pesquisa e descobri que o filho de Nei, o advogado Bruno Degrazia Möhn trabalha para um grande escritório de advocacia de Brasília contratado por Daniel Dantas para representar o deputado federal Alberto Fraga (DEM) em ação no TCU movida pelo deputado para tentar impedir a compra de ações da BRT/OI pelos fundos de pensão. Interessante essa ligação entre a extrema direita, nazistas e Daniel Dantas.
Mas tem mais. No registro do site ainda há outros dois nomes apontados como responsáveis pela página: Antonio Afonso Xavier de Serpa Pinto e Zoltan Nassif Korontai. Serpa Pinto trabalha na Secretaria da Fazenda de Mato Grosso. Korontai é responsável pelo site http://www.projetovendabrasil.com.br/. É um negócio estranho como pode ser visto na página da internet. Ele atua na área de tecnologia e fez concurso para analista de sistemas no TRE do Paraná. O cadastro do site dele está em nome da CliqueHost Internet Hosting e Eletro Eletrônicos (CNPJ 008.144.575/0001-90 – Avenida Doutor Chucri Zaidan, 246, SL 18, São Paulo). O responsável chama-se Frederich Resende Soares Marinho. Marinho é consultor de informática e trabalha em Piraúba (MG). Há uma série de reclamações de que ele vendeu hospedagens de site e não entregou o serviço. Ele é membro da Assembleia de Deus em Sorocaba.
Outro dado interessante: Ingo coloca um link no e-mail para quem não quiser mais receber as mensagens. Esse link aponta para o seguinte endereço: ingo.newssender.com.br. Newssender é um serviço de marketing eletrônico (leia-se spam) registrado e vendido pela Locaweb Serviços de Internet S/A. O curioso é que é o mesmo provedor que hospeda o site do candidato tucano.
Mais detalhes e demais fontes veja em :blog Escrevinhador, de Rodrigo Vianna
O risco de um novo golpe político no Brasil é real e iminente

Com trechos de Carta Maior
A movimentação das forças de extrema-direita, 'lideradas' por Serra, lembra as ações que antecederam o Golpe de 1964
Ainda no primeiro turno das eleições presidenciais eu havia dito que “o risco de um golpe no Brasil seria real e iminente”, me baseando no tipo de campanha feita pelo PSDB e pela chamada “grande mídia”.
Agora uma pessoa com muito mais experiência e conhecimento político que eu proclamou a mesma coisa, colocou o problema no tom mais adequado até o momento. Veja o que disse Tarso Genro, governador eleito pelo PT no Rio Grande do Sul, no último dia 7 ao lado de lideranças de vários partidos:
“Estamos assistindo a uma campanha de golpismo político e midiático semelhante ao que ocorreu antes do golpe de 64. Mas hoje a ameaça não vem dos militares. Hoje essa ameaça é talvez mais grave, pois se trata de golpismo político com apoio de uma parte importante da grande imprensa"
O evento em favor da candidatura de Dilma ocorreu no salão São José do Hotel Plaza San Rafael e reuniu mais de duas mil pessoas. O tom dramático do discurso estava baseado na percepção de que há uma grave ameaça pairando sobre a democracia brasileira. Nunca antes na história do Brasil, um candidato adotou como plataforma política uma campanha de calúnias e difamações contra sua adversária política. Uma inédita sordidez, repetiu Tarso.
Uma prática, segundo ele, que pode provocar uma ruptura política no país e coloca em risco a legitimidade do processo eleitoral.
Mas Tarso e os demais (líderes presentes no evento) não apostam no caminho da ruptura, mas sim no da superação do nível sórdido da campanha por meio de uma antiga e sempre eficiente arma do PT e dos partidos e organizações populares: a força de sua militância.
“A militância vai fazer a diferença e eleger Dilma. Eles esgotaram seu estoque de baixarias e já estão repetitivos”, acrescentou Tarso.
O governador eleito lembrou a Campanha da Legalidade, liderada por Leonel Brizola em defesa do governo de João Goulart. Tarso e as demais lideranças políticas presentes no ato anunciaram que o Rio Grande do Sul pretende mobilizar todo o país em defesa de Dilma, da democracia e do projeto representado pelo governo Lula. A mensagem transmitida no ato foi em tom alto e claro, sem metáforas: as elites paulistas e seus aliados terão mais uma vez à sua frente adversários que, desde Getúlio Vargas, insistem em contrapor um projeto de desenvolvimento nacional ao suposto cosmopolitismo dessa elite que só enxerga o povo pobre como um objeto a ser usado em época de eleição e o país como um balcão para seus negócios privados.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Aldir Blanc sabe bem o que está em jogo neste 2º turno

Leia o alerta feito pelo compositor à Marina e ao PSOL:
Votem em Dilma – ou regridam às privatizações selvagens, à perda da Petrobrás, ao comando do latifúndio, dos ruralistas, dos banqueiros, de todas as forças retrógradas do país, incluindo os torturadores.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Chico Buarque e Leonardo Boff lideram manifesto em favor de Dilma

Um grupo de artistas e intelectuais liderados por Leonardo Boff, Chico Buarque, Emir Sader, Eric Nepumuceno está articulando adesões ao manifesto abaixo de apoio político a eleição de Dilma Roussef.
MANIFESTO DE ARTISTAS E INTELECTUAIS PRO DILMA
Nós, que no primeiro turno votamos em distintos candidatos e em diferentes partidos, nos unimos para apoiar Dilma Rousseff. Fazemos isso por sentir que é nosso dever somar forças para garantir os avanços alcançados. Para prosseguirmos juntos na construção de um país capaz de um crescimento econômico que signifique desenvolvimento para todos, que preserve os bens e serviços da natureza, um país socialmente justo, que continue acelerando a inclusão social, que consolide, soberano, sua nova posição no cenário internacional.
Um país que priorize a educação, a cultura, a sustentabilidade, a erradicação da miséria e da desigualdade social. Um país que preserve sua dignidade reconquistada.
Entendemos que essas são condições essenciais para que seja possível atender às necessidades básicas do povo, fortalecer a cidadania, assegurar a cada brasileiro seus direitos fundamentais.
Entendemos que é essencial seguir reconstruindo o Estado, para garantir o desenvolvimento sustentável, com justiça social e projeção de uma política externa soberana e solidária.
Entendemos que, muito mais que uma candidatura, o que está em jogo é o que foi conquistado.
Por tudo isso, declaramos, em conjunto, o apoio a Dilma Rousseff. É hora de unir nossas forças no segundo turno para garantir as conquistas e continuarmos na direção de uma sociedade justa, solidária e soberana.
"PELOS FRUTOS SE CONHECE A ÁRVORE"

FALA FREI BETTO:
ela [Dilma] e Lula não saem por aí propalando, como fariseus, suas convicções religiosas. Preferem comprovar, por suas atitudes, que "a árvore se conhece pelos frutos", como acentua o Evangelho.
É na coerência de suas ações, na ética de procedimentos políticos e na dedicação ao povo brasileiro que políticos como Dilma e Lula testemunham a fé que abraçam.
Sobre Lula, desde as greves do ABC, espalharam horrores: se eleito, tomaria as mansões do Morumbi, em São Paulo; expropriaria fazendas e sítios produtivos; implantaria o socialismo por decreto...
Passados quase oito anos, o que vemos? Um Brasil mais justo, com menos miséria e mais distribuição de renda, sem criminalizar movimentos sociais ou privatizar o patrimônio público, respeitado internacionalmente.
domingo, 10 de outubro de 2010
Dilma é contra a flexibilização do aborto

Dilma com seu primeiro neto, nascido em pleno 1º turno das eleições presidenciais
Dilma disse que é pessoalmente contra o aborto
A candidata Dilma Rousseff já disse que é pessolmente contra o aborto. “Eu, pessoalmente, sou contra o aborto. Até porque seria muito estranho que quando há uma manifestação de vida no seio da minha família, porque meu neto acabou de nascer, eu defendesse uma posição a favor do aborto. Eu sou contra o aborto, porque é uma violência contra a mulher, acho que nenhuma
mulher é a favor do aborto”, disse, em visita a Belo Horizonte.
“O Estado brasileiro não vai considerar essas mulheres uma questão de polícia. Mas uma questão de saúde pública e social, porque nós temos é que prevenir que jovens nesse país recorram a esses métodos. Temos que impedir que mulheres jovens sejam levadas por esse caminho por falta de alternativa”, salientou. Dilma ainda fez outro esclarecimento para afastar os boatos: “Não há nenhuma alteração no programa de governo, porque não tem nada sobre aborto no programa de governo e não tem o que alterar”.

Dilma no batizado de Gabriel
Serra defende união homossexual durante a Parada Gay de SP

Jornal O Estado de São Paulo
Caderno Cidades
14 de junho de 2009
Governador afirma que projeto que vai propiciar união estável entre pessoas do mesmo sexo 'está andando'
O governador de São Paulo e líder nas pesquisas para a eleição presidencial no país no próximo ano, José Serra, defendeu neste domingo, 14, a união estável de pessoas do mesmo sexo durante a 13ª Parada do Orgulho Gay...
Em um encontro com líderes das comunidades homossexuais e com os organizadores da maior manifestação gay do mundo, Serra afirmou que é "propício" à união estável entre pessoas do mesmo sexo e adiantou: "Temos um projeto sobre isso, está realmente andando porque o apoiamos".
Os ativistas pediram ao político do PSDB um respaldo para que o Senado aprove a lei que tipifica a homofobia como crime e que já foi aprovada em primeira instância pela Câmara dos Deputados.
Alguns senadores fazem objeções aos artigos que proíbem pastores, sacerdotes e líderes religiosos a condenar o homossexualismo em programas de rádio e televisão, além da normativa judicial contra a discriminação homossexual em manifestações públicas.
(...)
O tema da edição deste ano foi "Sem Homofobia, Mais Cidadania Pela Isonomia dos Direitos!" e homenageou os 30 anos do movimento homossexual no Brasil, que já ganhou o reconhecimento patrimonial e direitos de previdência social para cônjuges do mesmo sexo, entre outras reivindicações.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Leia o texto que levou o "Estadão" a demitir a psicanalista Maria Rita Kehl

Maria Rita no programa Café Filosófico da TV Cultura
Maria Rita Kehl: A desqualificação do voto do pobre
Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos.
por Maria Rita Kehl no O Estado de S.Paulo
Este jornal (Estadão) teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.
Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.
Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-adquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem idéia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiva de democracia".
Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Onda verde ou tsunami da religiosidade?

Sobre os quase 20% de Marina e o segundo turno para presidente
Quase sempre estou em acordo com o grande jornalista Luiz Carlos Azenha do viomundo.com, mas desta vez vou discordar dele. Azenha afirma ter havido de fato uma onda verde em favor da candidatura de Marina Silva, tendo encontrado na juventude sua maior força. O jornalista ainda diz não acreditar que a “sórdida campanha movida por católicos e evangélicos contra a candidata governista” seja responsável pelo elevado percentual da candidata do Partido Verde.
Claro que podemos dizer que os fatores tenham sido diversos. Isto é verdade, mas também pode ser uma saída retórica para quem não quer arriscar uma análise mais audaciosa. Vou defender aqui uma tese: os 12 ou 14% que Marina apresentou nas últimas pesquisas eleitorais, creio, sejam frutos de uma onda ou marolinha verde, aí estariam os votos ideológicos, daqueles que consideraram a necessidade de uma "terceira via", uma opção mais consciente. Mas e os quase 6% a mais que vieram depois da apuração? Este percentual, no meu entendimento, foi gerado sim pela sórdida campanha sofrida por Dilma.
Marina seria usada
As diversas mídias de esquerda já alertavam que, depois de os tucanos e a mídia retrógrada terem tentado de tudo para derrubar Dilma e fazer o candidato do PSDB crescer, sem êxito, restava usar a Marina. Já que Serra parecia ter atingido seu teto, a única coisa a fazer seria investir em Marina, ajudá-la de alguma forma a fim de garantir o segundo turno. Atacando Dilma nas questões de ordem moral a candidata verde ganharia, sem muito esforço, os votos dos “dissidentes”.
A forte campanha dos veículos de comunicação da chamada “grande imprensa” que criam “verdades”, subvertem a lógica, mentem, enganam e desinformam o povo conquistou o apoio de parte da sociedade, em especial evangélicos e católicos
Uma história vergonhosa
O histórico dos evangélicos, infelizmente, não é muito bom quando se refere à participação ou influência política. Neste momento preciso lembrar que sou presbiteriano, deste modo fico mais a vontade para dizer o que segue.
O Nazismo conquistou apoio dos protestantes, que prefiro chamar agora de evangélicos. A Ku Klux Klan tinha em meados do século passado nos Estados Unidos, a complacência, ou pior que isto, a participação de presbiterianos e batistas. A Ditadura Militar recebeu apoio de igrejas evangélicas a todas as atrocidades que cometia na época. Considero que os exemplos já sejam horríveis, vergonhosos e suficientes para o momento. Em nome da pureza, da retidão e de Deus é que os apoiamos.
Quando eu assisti pela internet à absurda “pregação” do tal “pastor” Piragine, da Igreja Batista de Curitiba (membro da Aliança Batista Brasileira e não da Convenção Batista Brasileira) eu já temi pelo que poderia acontecer. Confesso que não acredito muito na capacidade de discernimento de muitos líderes evangélicos de nosso tempo, em especial em questões que envolvam as artimanhas políticas de alguns partidos e de parte da mídia.
Em todas as campanhas de Lula para presidente, até que ele fosse eleito, ouvi muito evangélicos afirmarem, com a certeza de uma revelação divina, que Lula era enviado do Diabo e que ele fecharia as igrejas. Como se as portas do inferno pudessem prevalecer sobre a Igreja de Cristo. Depois, já em sua primeira gestão, o presidente deixou claro que tudo não passava de puro devaneio “espiritual”.
Agora era a vez de Dilma Roussef. Agora sim, esta é a enviada de Satã para exterminar a pureza deste povo. Ela legalizaria o casamento homossexual, a própria seria adepta desta prática (segundo boatos da internet) flexibilizaria a prática do aborto, Dilma morreria (talvez algum anjo tenha trazido o presságio) e Temer, um satanista (?) iria comandar o país, etc... Já é o suficiente.
Creio que Dilma será eleita no próximo dia 31 de outubro. Imagino que o candidato do PT à sua sucessão, daqui quatro ou oito anos, também experimentará do mesmo cálice. A pergunta é: quando os evangélicos aprenderão a ser astutos como a serpente? Quando aprenderemos a discernir o que está por trás das diabólicas ações da mídia fascista que temos em nosso país? Até quando seremos usados pelos poderes demoníacos deste mundo tenebroso do mercado midiático e da banda podre da elite?
O que seria um governo do mal em nosso país?
Ele faria cerca de 30 milhões de pessoas saírem da miséria, outros 36 milhões ascenderem à classe média, geraria 14,5 milhões de empregos e milhões de oportunidades, abençoando as famílias brasileiras? Diminuiria a mortalidade infantil? Concederia mais dignidade, orgulho e esperança ao povo? Levaria luz para todos? Ou, ao contrário, geraria desigualdades, injustiça, miséria e morte, como costumam ser os governos demo-tucanos? Claro, não afirmo e nunca farei isto, que é possível a existência de um governo humano perfeito. Mas é imperativo e urgente que as enormes diferenças destes dois modos de governar sejam reconhecidas e ressaltadas por nós para que possamos assumir posição em favor do que é melhor para os excluídos e os pobres deste país.
Marina Silva, evangélica, membro da Assembléia de Deus, em plena campanha eleitoral, disse diante de toda a imprensa que as questões como aborto e união de pessoas do mesmo sexo, seriam tratadas, em um eventual governo seu, pelo Congresso Nacional, e não seriam (como muitos imaginavam) decididos por ela, como numa ditadura. O PT tem diversos parlamentares que são contra a flexibilização do aborto e alguns que se colocam contra a “criminalização” da homofobia ou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O PT da Bahia acaba de eleger para o Senado o deputado federal Walter Pinheiro, membro da Igreja Batista, um exemplo de ética, compromisso com o Evangelho e convicção política.
Alguns amigos acham ruim quando eu digo que o lugar da hipocrisia, mais do que a política, é a igreja. Mais uma vez confirmei isto, infelizmente. Vi muitos evangélicos defenderem o voto em um “homem de Deus” e apoiarem os piores corruptos de que se tem notícia em troca de favores e vultosos recursos. Pessoas deixarem de votar na Dilma por tudo o que já dissemos aqui e mandarem para o Congresso gente da pior espécie, exatamente onde se decidirá sobre as questões mais polêmicas em foco nas eleições e aqui neste texto.
Ah, eu não falei dos católicos? Para mim basta que a esquerda católica ressurja!
Sinceramente espero que os evangélicos possam refletir melhor e que optem pela continuidade do governo popular iniciado por Lula, um governo que trabalha em favor da vida. Dilma presidente!
terça-feira, 28 de setembro de 2010
O Purismo Religioso à disposição do retrocesso

28 de setembro de 2010
O pastor, a eleição e a "iniquidade"
Publico* este texto a pedido de um leitor evangélico, o Umbelino Anderson Oliveira.
Democracia Versus Iniquidade: O purismo religioso à disposição do retrocesso
… vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz …(Zé Ramalho)
Nestas últimas semanas, muitos evangélicos, sobretudo batistas, foram naufragados com e-mails que sugeriam ufanisticamente assistir a uma proposta do Pr. Paschoal Piragine de não votar, nesse pleito democrático de 2010, no Partido dos Trabalhadores (PT).
Não atentando obrigatoriamente às leis eleitorais que regem democraticamente o seu país , o Pr. Piragine, no início de sua homilia política, construiu o axioma de sua fala associando, forçosamente, à pregação cristã, um conceito de pureza étnica ao lado de outro, o de unidade nacional antigotestamentária, ambos sob a flâmula escatológica da “iniquidade” – um conceito de exclusão social que os próprios fariseus usaram contra Jesus Cristo (que, para eles, era um iníquo e que, por isso, merecia a morte, a morte de cruz).
Em passo seguinte, sem lembrar dos conflitos religiosos dos séculos XVI ao XVIII que, inclusive, retalharam mortalmente reformadores e protestantes, o pastor associou culposamente ao Partido dos Trabalhares e ao terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos, o problema do homossexualismo, da homofobia, do infanticídio indígena, da pedofilia, do fim da liberdade religiosa, da pornografia, do divórcio, da violência familiar, do homicídio familiar, do esquartejamento de feto, da pobreza etc. Sem querer defender a coligação PSDB e DEM (antigo PFL da ditadura torturenta e militar), ou do Partido Verde, PSTU, PCO, PT, PSDC, PRTB ou PCB, quero questionar a posição política do pastor Piragine, um pastor que se quer fazer teólogo da Missão Integral da Igreja – mesmo que usada como estratégia de crescimento de Igreja.
Democracia e Intolerância sob o ponto de vista da Teologia Cristã Política
À luz das Teorias do Direito contemporâneo de Jürgen Habermas e de John Rawls, as perspectivas sócio-democráticas dos nossos tempos respondem à pluralidade de valores e, sobretudo, às necessárias garantias dos direitos individuais. Estas teorias democráticas se acenderam devido aos conflitos sangrentos da noite de São Bartolomeu, do conflito religioso na cidade de Münzer, dos massacres aos trabalhadores acontecidos no período da Revolução Industrial, do massacre étnico promovido pelo Nazismo a partir de um princípio de iniquidade religiosa, moral e étnica: conflitos de ontem, conflitos de hoje.
Assim, as Teorias Democráticas do Direito indicam ser necessário que os princípios reguladores das sociedades que pretendem ser democráticas se balizem pela Declaração dos Direitos Humanos. Ora, a luta ideológica destes pensadores, ao defenderem a Democracia e os Direitos Fundamentais, visa contornar as compreensões particulares e intolerantes de mundo que, entre várias possibilidades, objetiva associar liberdade individual à prática da iniquidade religiosa.
A luta pela dissolução da democracia e a ressurreição das compreensões particulares de iniquidade são responsáveis pela morte de evangélicos e católicos no mundo islâmico fundamentalista, é responsável pela morte de torcedores de futebol (palmerenses, flamenguistas, vascaínos, hooligans e muitos outros), foi responsável pelas mortes históricas de negros e índios cometidas inclusive por evangélicos batistas e presbiterianos nos EUA, pela vergonhosa perseguição e preconceito aos bolivianos no subúrbio de São Paulo, pelo preconceito aos nordestinos e pela perseguição fatal ao cristianismo e ao seu fundador nos anos que vão do 34 ao 40 de nossa era cristã.
Em épocas de profundas crises sociais, o ufanismo irrefletido procura culpar a diversidade cultural pelos problemas que lhe sejam atuais: o governo republicano de Bush não revelou ao seu país que o próprio governo americano (nas gestões executivas dos republicanos) tinha militarizado o Iraque de Saddam Hussein e as milícias de Osama Bin Laden na luta contra o Irã e a antiga União Soviética respectivamente, e, após alguns anos, deu andamento a vários massacres militares, pois o julgaram como culpados pela crise sócio-econômica que explodiu nos anos de 2008 e 2009, e porque eram fracos – considerando que os EUA não têm coragem de invadir Cuba, China (a sua maior aliada comercial e cambial) e Irã; a Alemanha nazista queria culpar os judeus, os ciganos, os eslavos etc., por sua crise sócio-econômica surgida após a primeira guerra mundial.
Há vários exemplos de como a ideia de iniquidade surge como medida para excluir o outro para que, assim, se implante um regime político ou religioso purificado da democracia, e sob o terror da justiça apocalíptica de JHWH, Alá, Deus, do Estado Comunista (que é completamente diferente das políticas que se autodiferenciam destas quando se apresentam como socialistas) e, por mais absurdo que possa parecer a todos, de Jesus Cristo.
Assim, as discussões sobre a Democracia Deliberativa e sobre os Direitos Universais da Mulher e do Homem, não podem ser vistas sob a ótica da iniquidade religiosa. Immanuel Kant (7) ensina que a convivência política só caminha sob a perspectiva da liberdade e da garantia da individualidade recíproca. Soberanamente, Jesus nos ensina que o outro, mesmo que este seja o Samaritano iníquo (sob o ponto de vista da TORAH farisaica), não deve ser portador de um julgamento moral ou de retaliação social, mas de amor, de amor integral.
No mundo encontrado por Jesus havia absolutizações que escravizavam o homem: absolutização da religião, da tradição e da lei. A religião não era mais a forma como o homem exprimia sua abertura para Deus, mas se substantivara num mundo em si de ritos e sacrifícios. Liga-se à tradição profética (Mc. 7,6-8) e diz que mais importante que o culto é o amor, a justiça e a misericórdia.
Indo em colisão aos ensinos de Cristo presentes nos quatros Evangelhos, o Pr. Paschoal Piragine ressuscitou o conceito de iniquidade etnocêntrica usando inteligentemente um mecanismo de manobra ideológica entre palavras e vídeos: vídeo não explica, seduz e co-move; púlpito é espaço de homilia e não de política (ação que exige argumentação e debate público entre opositores). Por este mecanismo de irreflexão e empunhando um ufanismo autodestrutivo, o pastor da Primeira Igreja Batista de Curitiba desferiu a ação curralesca de dirigir os votos de uma Igreja num pleito que se pretende democrático: “não votem …!”, em nome de uma religião purificada da iniquidade.
Contudo, mutatis mutandis, se o Pastor Piragini levar às últimas consequências a sua ética da luta veemente contra a iniquidade e, por isso, começar a ver per se que os seus aliados, alguns bispos da CNBB (ou mais especificamente da Canção Nova?) e outros, não cristãos, que ele diz estarem afins a esta luta, não se adequam ao seu conceito de iniquidade? Ele os trairá pedindo para que a Constituição do Brasil suspenda o direito do catolicismo, do espiritismo, do luteranismo, do presbiterianismo, do pentecostalismo, das religiões indígenas, do ateísmo, dos batistas arminianos, dos batistas calvinistas, dos batistras tradicionais, dos outros batistas que não sejam da Primeira Igreja Batista de Curitiba, dos batistas que não sejam ele mesmo? Deste modo, pode-se ver que a iniquidade parece ser mais uma ideia subjetiva que o respeito e o amor ao próximo; quando a ideia da iniquidade tem mais peso em vídeos programados para iludirem que as palavras de Jesus, então o conceito de iniquidade deixa de ser divino para ser malévolo.
A iniquidade não pode estar atrelada ao conceito de pureza étnica ou religiosa. Há profundas diferenças entre os conceitos de iniquidade desenvolvidos em passagens do primeiro testamento cristão e aqueles desenvolvidos no segundo testamento cristão. A luta da Igreja de Cristo é por antecipar o Reino de Deus, gozando o eu paráclito e exercendo a transparência de Cristo. A Missão Integral da Igreja de Cristo não deve promover uma batalha da integridade moral burguesa e excludente, mas da integridade humana daqueles que precisam ser filhos de Deus. Se for assim, um pleito democrático sobre a integridade não pode nascer daqueles que sentam em dízimos e constituem abastardas propriedades, mas de todos que queiram lutar por dignidade e que precisam de Deus.
A Missão Integral não é uma experiência teológica onde se discute crescimento estratégico de Igreja, pois não é uma teologia da propaganda concorrencial de marketing mercadológico. Antes, a Missão Integral da Igreja é a reflexão de nossa Missão em Cristo que não condena e, por isso, não pede a crucificação ou o banimento constitucional do diferente, do outro. Todas as vezes que a Igreja retroagir à democracia em nome de uma iniquidade humana, ela pedirá a crucificação de Cristo, tal como os fariseus o fizeram.
Cristianismo não é estratégia nem para crescimento de Igreja e nem para falsidade político-ideológica. Com John Stott, vejo a Missão Integral da Igreja Cristã como uma experiência de repensar a atitude de relação social da igreja com seu tempo, associando-se radicalmente ao Deus encarnado (Cristo Jesus) que nos abre o véu da ignorância e nos chama a dialogar e a cuidar de todos: bons e ruins, ricos e pobres, fortes e fracos.
Existe uma segunda razão por que as pessoas desenvolveram uma aversão pela idéia de conversão. Diz respeito à impressão de imperialismo arrogante que alguns evangelistas às vezes dão.
O que nos é proibido é toda retórica tendenciosa, toda manipulação deliberada de resultados, toda artificialidade, hipocrisia e representação, toda atitude de colocar-se em frente a um espelho com o objetivo de, conscientemente, planejar nossos gestos e caretas, toda autopropaganda e autoconfiança. De maneira mais positiva, devemos ser nós mesmos, ser naturais, desenvolver e exercitar os dons que Deus nos deu e, ao mesmo tempo, depositar nossa confiança não em nós mesmos, mas no Espírito, que concorda em operar por meio de nós.
Com Jürgen Moltmann, visualizo um imperativo à Igreja de Cristo de vivência pela integridade humana, onde esta comunidade humana de Cristo surja no mundo como antecipação do Reino de Deus. A luta pelo novo que vem de Deus é viver, sobretudo, uma fé pascoal (mas não Paschoal) em Cristo – Ele mesmo, filho de Deus, que foi preterido por uma população extasiada (talvez expressando sua opinião por meios de palmas efusivas) que gritou e apoiou veementemente pela libertação de Barrabás.
Considerações Finais
É difícil pedir para que a Igreja de Cristo jogue pedra caluniosa em nome de uma hipotética iniquidade. Nem a mulher adúltera, Estevão, os ladrões, os assassinos, eu mesmo, os homossexuais, os pobres, as crianças que morrem nos lixões de Curitiba (por causa do modelo monetário capitalista – a moeda que tem o rosto de César – que é a mesma que constrói grandes Igrejas Evangélicas), nem mesmo as crianças indígenas que morrem por problemas culturais, por doenças trazidas pelos comerciantes, por ladrões, por missionários bons e maus etc., devem ser objeto de julgamentos, mas de cuidado e amor. Quem deve ter direito à justiça? Quem deve ter direito à igualdade?
É tempo da Igreja de Cristo no Brasil descobrir que ela não vive mais em sociedades absolutistas. Se isso for verdade, o regime democrático que rege constitucionalmente o nosso país pede para que todos exerçam sua cidadania, conheçam a Constituição Federal e participem dos fóruns públicos visando a uma melhor regulamentação do direito público e do privado, sempre à luz da Declaração dos Direitos Humanos. Se alguém satanizar os Direitos Humanos, esse estará satanizando a garantia da liberdade religiosa dos batistas, presbiterianos, católicos, espíritas, negros, índios, brancos, pardos etc. Sem o direito do outro, não há o meu direito; sem o meu direito, não há o direito do outro. Se Deus não amar e cuidar do outro, por que ele haveria de amar e cuidar de mim? Se Deus cuida e ama a mim, por que ele não haveria de amar e cuidar de outros além de mim mesmo?
*Manoel Ribeiro de Moraes Jr é doutor em Ciências da Religião (UMESP), mestre em Ética e Filosofia Política (UERJ) e graduado em Filosofia (UERJ) e em Teologia (STBSB). É Diretor Acadêmico do Seminário Teológico Batista Equatorial/FATEBE e professor adjunto de Filosofia na Universidade do Estado do Pará (UEPA).
Nem mesmo Cristo: Método facista adotado pelos tucanos e pela "grande mídia" também tem lugar nos púlpitos
Boato religioso tenta desestabilizar Dilma
Viomundo/R7
Boatos tentam desestabilizar reta final da campanha de Dilma
Rumor atribui à petista a frase “nem mesmo Cristo me tira essa vitória”
Uma falsa declaração atribuída à candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, circula na internet com o fim de desestabilizar a candidatura da petista nesta reta final da campanha, a cinco dias da eleição. De acordo com e-mails e mensagens repassadas pela web, Dilma, que lidera a disputa de acordo com todos os institutos de pesquisas, teria dito: “nem mesmo Cristo me tira essa vitória. As pesquisas comprovam o que eu estou dizendo, vou ganhar no primeiro turno”.
A declaração, no entanto, nunca existiu, de acordo com a equipe de campanha de Dilma, e se deve ao “jogo baixo” utilizado pelos seus adversários durante a campanha.
Segundo o coordenador de comunicação da campanha da petista e candidato a deputado estadual por São Paulo, Rui Falcão, ela nunca deu esta declaração.
- É uma calúnia. Dilma respeita todas as religiões e jamais usaria o nome de Cristo em vão. Ainda mais com esse tom de arrogância, que não é do temperamento dela, muito menos de soberba com os eleitores.
Diferentemente da declaração atribuída a ela, a candidata do PT tem dito, sempre que questionada, que pesquisa não ganha eleição e a definição só ocorre no dia 3 de outubro, quando os eleitores forem às urnas.
Em campanha em Curitiba (PR), em julho, a candidata negou qualquer “salto alto”.
- Ninguém pode subir no salto alto e sair por aí achando que já ganhou. Até o dia 3 de outubro, muita água vai rolar debaixo da ponte.
A declaração foi repetida em evento de campanha em Mauá, na grande São Paulo, no dia 21 de agosto.
- Eleição a gente não ganha com pesquisa. Eleição a gente ganha respeitando o voto do povo brasileiro. Peço para vocês muita atenção, muito empenho e muita garra, porque, de hoje até o dia 3, nós vamos disputar cada voto.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Batistas repudiam campanha político-religiosa contra Dilma

Abaixo, trechos do pronunciamento oficial da Aliança dos Batistas do Brasil motivado pela "pregação" do pastor Paschoal Piragine da Igreja Batista em Curitiba.
ELEIÇOES 2010: PRONUNCIAMENTO DA ALIANÇA DE BATISTAS DO BRASIL
A Aliança de Batistas do Brasil vem, por meio deste documento, reafirmar o compromisso histórico dos batistas, em todo o mundo, com a liberdade de consciência em matéria de religião, política e cidadania... ninguém pode se sentir autorizado a falar como “a voz batista”, a menos que isso lhe seja facultado pelos meios burocráticos e democráticos de nossa engrenagem denominacional.
...consideramos vergonhoso que pastores e igrejas batistas histórica e tradicionalmente anticatólicos, além de serem caracterizados por práticas proselitistas frente a irmãos e irmãs de outras tradições religiosas de nosso país, professem no presente momento a participação em coalizões religiosas de composição profundamente suspeita do ponto de vista moral, cujos fins dizem respeito ao destino político do Brasil.
Como entidade preocupada e atuante em face da injustiça social que campeia em nosso país desde seu “descobrimento”, a Aliança de Batistas do Brasil sente-se na obrigação de contradizer o discurso que atribui ao PT a emergente “legalização da iniquidade”. Consideramos muito estranho que discursos como esse tenham aparecido somente agora, 30 anos depois de posicionamentos silenciosos e marcados por uma profunda e vergonhosa omissão diante da opressão e da violência a liberdades civis, sobretudo durante a ditadura militar (1964-1985). Estranhamos ainda que tais discursos se irmanem com grupos e figuras do universo político-evangélico maculadas pelo dinheiro na cueca em Brasília, além da fatídica oração ao “Senhor” (Mamon?).
Estranhamos ainda que tais discursos não denunciem a fome, o acúmulo de riqueza e de terras no Brasil (cf. Isaías 5,8), a pedofilia no meio católico e entre pastores protestantes, como iniquidades há tempos institucionalizadas entre nós.
Estranhamos ainda que tais discursos somente agora notem a possibilidade da legalização da iniquidade nas instituições governamentais, e faça vistas grossas para a fatídica política neoliberal de FHC, além da compra do congresso para aprovar a reeleição.
...Nossa posição está assentada na convicção de que o Evangelho, numa dada sociedade, não deve se garantir por meio das leis, mas por meio da influência da vida nova em Jesus Cristo.
A Aliança de Batistas do Brasil se posiciona contra a demonização do PT, levando em consideração também que tal processo nega o legado histórico do Partido dos Trabalhadores na construção de um projeto político nascido nas bases populares e identificado com a inclusão e a justiça social. Os que afirmam o nascimento de um “império da iniquidade”, com uma possível vitória do PT nas atuais eleições, “esquecem” o fundamental papel deste partido em projetos que trouxeram mais justiça para a nação brasileira, como, por exemplo: na reorganização dos movimentos trabalhistas, ainda no período da ditadura militar, visando torná-los independentes da tutela do Estado; na implantação e fortalecimento do movimento agrário-ecológico dos seringueiros do Acre pela instalação de reservas extrativistas na Amazônia, dirigido, na década de 1980, por Chico Mendes; nas ações em favor da democracia, lutando contra a ditadura militar e utilizando, em sua própria organização, métodos democráticos, rompendo com o velho “peleguismo” e com a burocracia sindical dos tempos varguistas; nas propostas e lutas em favor da Reforma Agrária ao lado de movimentos de trabalhadores rurais, sobretudo o MST; no apoio às lutas pelos direitos das crianças, adolescentes, jovens, mulheres, homossexuais, negros e indígenas; e na elaboração de estratégias, posteriormente transformadas em programas, de combate à fome e à miséria.
Atualmente, na reta final do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, vemos que muita coisa desse projeto político nascido nas bases populares foi aplicada. O governo Lula caminha para seu encerramento apresentando um histórico de significativas mudanças no Brasil: diminuição do índice de desemprego, ampliação dos investimentos e oportunidades para a agricultura familiar, aumento do salário mínimo, liquidação das dívidas com o FMI, fim do ciclo de privatização de empresas estatais, redução da pobreza e miséria, melhor distribuição de renda, maior acesso à alimentação e à educação, diminuição do trabalho escravo, redução da taxa de desmatamento etc.
É verdade que ainda há muito a se avançar em várias áreas vitais do Brasil, mas não há como negar que o atual governo do PT na Presidência da República tem favorecido a garantia dos direitos humanos da população brasileira, o que, com certeza, não aconteceria num “império de iniquidade”.
Está ficando cada vez mais claro que os pregadores que anunciam dos seus púlpitos o início de uma suposta amplitude do mal, numa continuidade do PT no Executivo Federal, são os que estão com saudade do Brasil ajoelhado diante do capital estrangeiro, produzindo e gerenciando miséria, matando trabalhadores rurais, favorecendo os latifundiários, tratando aposentados como vagabundos, humilhando os desempregados e propondo o fim da história.
Enfim, a Aliança de Batistas do Brasil vem a público levantar o seu protesto contra o processo apelatório e discriminador que nos últimos dias tem associado o Partido dos Trabalhadores às forças da iniquidade. Lamentamos, sobretudo, a participação de líderes e igrejas cristãs nesses discursos e atitudes que lembram muito a preparação das fogueiras da inquisição.
Maceió, 10 de setembro de 2010
ATENÇÃO, acessem: http://www.youtube.com/watch?v=-z6WYm-I1lY