Deputado Marcos Martins quer investigar se o hospital de Osasco está envolvido na Operação Parasitas, mas Celso Giglio barrou requerimento que pedia convocação de diretores
Diário da Região - Vanessa Dainesi
O Hospital Regional de Osasco é um dos suspeitos de integrar à chamada Operação Parasitas grupo que fraudava licitações para fornecimento de equipamentos e materiais para hospitais da rede estadual. As investigações sobre o caso colocaram os dois deputados de Osasco – Marcos Martins (PT) e Celso Giglio (PSDB) - em pé de guerra na Assembléia Legislativa. Diante das denúncias o deputado e integrante da Comissão de Saúde e Higiene, Marcos Martins apresentou requerimento à comissão que pedia a convocação de diretores de 19 hospitais que estariam envolvidos na fraude.
O pedido foi rejeitado pelos deputados que compõem a base aliada ao governo do Estado – Celso Giglio, Analice Fernandes e Antonio Carlos – que alegam que o caso está sendo investigado pela Polícia Civil e que os deputados não devem atrapalhar.“Minha iniciativa que visava simplesmente possibilitar aos parlamentares obter esclarecimentos oficiais sobre as ocorrências, até para que os acusados pudessem se defender das denúncias, se for o caso. É lamentável que o governador Serra não mobilize sua bancada para averiguar fatos tão graves”, desabafou o deputado.
Segundo o deputado, a ação denominada ‘Operação Parasitas’ foi realizada no final do mês de outubro pela Polícia Civil e desmontou uma quadrilha que fraudava licitações do pregão eletrônico do governo e subornava funcionários públicos e entregava a hospitais estaduais produtos de má qualidade. Há suspeitas de irregularidades em pelo menos 19 unidades sob responsabilidade da Secretaria Estadual de Saúde. “Estima-se que o esquema tenha faturado R$ 100 milhões nos últimos dois anos, por isso, temos que investigar, e ver até onde este esquema atingiu os cofres públicos, é inadmissível que uma situação como esta passe sem que a Assembléia se posicione sobre o assunto e abra uma investigação”, finalizou.
Com a rejeição, agora, a bancada do PT busca assinaturas na Casa para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias de fraude e superfaturamento em hospitais estaduais. No requerimento o deputado osasquense, aponta a lista de 19 unidades sob suspeita - Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Hospital do Servidor Público Estadual, Hospital Brigadeiro, Instituto Dante Pazzanese, Instituto Emílio Ribas, Autarquia Sul da Capital, Hospital Ipiranga, Hospital Geral de São Mateus, Hospital Ferraz de Vasconcelos, Hospital Geral de Taipas, Complexo Hospitalar Padre Bento, Hospital Geral de Guaianazes, Hospital Geral de Vila Nova Cachoeirinha, Centro de Referência da Mulher, Departamento Psiquiátrico de Franco da Rocha, Hospital de Osasco, Hospital Infantil Darcy Vargas, Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros e Hospital Arnaldo Pezzuti.
"Não é de hoje que conhecemos os métodos dos tucanos para barrar qualquer iniciativa que pretenda investigar irregularidades em seus governos. Foram dezenas de CPIs barradas no governo Alkimin e com o Serra não é diferente. Sempre que a criação de uma CPI se fizer necessária para que consigamos apurar denúncias e/ou suspeitas de fraudes, superfaturamentos, desvio de recursos, etc., parlamentos e executivos devem apoiar ou, ao menos, não impedir sua instauração e isto não deve depender da coloração partidária dos possíveis corruptos." (Alvady)